Salute

Bebê ostomizado: o que preciso saber para cuidar melhor do meu filho?

Os procedimentos de implantação de ostomias em bebês ocorrem, na maioria dos casos, logo após o nascimento. Independente da idade em que é feito o procedimento, a dúvida fica: como cuidar do bebê ostomizadoPode ser angustiante a princípio, perceber que seu filho tem uma condição que exigirá um procedimento cirúrgico e uma bolsa de ostomia. Mas esta cirurgia dará ao seu filho uma chance melhor para uma vida plena, ativa e feliz.

Felizmente, a maioria dos estomas em bebês é temporária. Ainda assim, mesmo que seu bebê necessite da bolsa de ostomia por mais tempo do que você esperava, tranquilize-se. Convivendo com a bolsa desde muito cedo, seu filho terá mais chances de considerar o estoma algo normal, pois cresceu com ele, ou seja: o bebê ostomizado tem maiores possibilidades de se acostumar com a condição.

Por que meu filho precisa da ostomia?

Tanto em bebês ou quanto em crianças, pode haver muitas indicações médicas para a realização de uma ostomia. Estas podem incluir:

  • Ânus imperfurado: Uma das causas mais comuns em crianças, acontece quando a abertura do ânus está ausente ou bloqueada. Isso significa que não há saída para que as fezes sejam expelidas pelo meio natural;
  • Doenças Inflamatórias intestinais (DII): Incluem a doença de Crohn e a colite ulcerativa, onde áreas do intestino inflamam, causando danos, obstruções ou vazamentos;
  • Enterocolite necrosante neonatal: Comum em bebês de baixo peso ao nascer ou prematuros. Por razões desconhecidas, partes do intestino começam a morrer, e portanto há a necessidade de um novo canal de comunicação para o sistema digestivo;
  • Extrofia da bexiga: A bexiga e a genitália não foram formadas corretamente;
  • Extrofia da cloaca: O intestino grosso, a bexiga e a genitália não foram devidamente formados.

Seu bebê ostomizado não está sozinho. E nem você.

Por conta da quantidade de novidades deste momento, é comum sentir-se inseguro e solitário. Mas é importante não se esquecer que você e seu filho não estão sozinhos. Lidar com o estoma do seu filho pode ser desafiador no começo, mas não se preocupe – com apoio e informação, logo se tornará parte da sua rotina. Assim, como primeiro passo, dê uma olhada nos nossos conteúdos sobre o assunto, e crie a coragem e a motivação para cuidar muito bem do seu bebê ostomizado!

Além disso, a equipe de médicos e enfermeiros responsáveis pelo seu filho lhe ensinará como dar os devidos cuidados para a ostomia, respeitando as principais diferenças da ostomia na criança:

A posição do estoma:

O estoma do seu filho pode ser posicionado em um lugar diferente do local da ostomia de um adulto. Isto normalmente ocorre para que o estoma possa ser revertido no futuro e também porque o seu médico tentará criar o mínimo possível de cicatrizes. Lembre-se: a maioria das ostomias em bebês e crianças são temporárias.

Cuidados com a pele do bebê ostomizado:

A pele do seu bebê é muito delicada – será necessário muito cuidado para garantir que ela não seja lesionada pelo adesivo.  Além disso, estes cuidados impedem o contato com fluidos corporais e protegem o bebê ostomizado contra infecções. A pele ao redor do estoma deve ser limpa com água pura. Lenços umedecidos, óleos, pós e loções devem ser evitados perto do estoma.  Essa camada de produto pode impedir a aderência da bolsa, provocando vazamentos e danos na pele do seu filho.

Há vários produtos disponíveis que podem impedir que a pele do seu bebê seja machucada na troca da bolsa de ostomia. Estes produtos são apropriados para ostomizados e não causam irritações ou alergias.

Bolsa de ostomia:

A eliminação de fezes e urina no bebê e na criança pequena acontece de forma mais frequente que nas crianças maiores, nos adolescentes e adultos. Isto, na prática significa que será necessária uma bolsa de ostomia que possa ser trocada ou esvaziada com frequência. Mas o modelo escolhido deve permanecer no lugar durante a troca e os movimentos da criança. Garanta que a bolsa não afete os movimentos de seu filho. É importante lembrar que sua escolha da bolsa mudará à medida que seu bebê ostomizado progrida para o engatinhar e então para o caminhar.

Com que frequência a bolsa deverá ser trocada?

Geralmente, você vai praticar a rotina de troca da bolsa do seu filho antes de sair do hospital. Ainda assim, quando você chegar em casa, provavelmente terá dúvidas. E isto é normal. Com o tempo, você ganhará segurança e a cada dia, a rotina se tornará uma tarefa normal para você.

As bolsas devem ser trocadas sempre que estiverem preenchidas a um terço ou metade de sua capacidade, para evitar vazamentos. Ainda assim, caso haja algum vazamento, precisarão ser trocadas imediatamente. Existem algumas pistas de que a bolsa está vazando:

  • Você pode sentir o cheiro de fezes ou urina, mesmo quando a bolsa está fechada.
  • Você pode encontrar fezes ou urina nas roupas do seu filho.

Além disso, alguns cuidados devem ser tomados, para executar esta tarefa da melhor forma possível:

  • Criar uma rotina com horários determinados para a esvaziar da bolsa é uma boa maneira de evitar vazamentos e lesões na pele do seu filho;
  • Bebês e crianças pequenas que usam bolsas com válvula de drenagem, precisam de troca de bolsas geralmente, a cada 1 a 4 dias;
  • Tirar a bolsa muitas vezes ao dia pode danificar a pele do seu filho;
  • Nunca tente consertar uma bolsa com fita adesiva para mantê-la útil por mais tempo.

Tranquilize-se. A prioridade agora é cuidar do seu bebê.

Ter um filho com uma nova e inesperada condição pode ser angustiante. É natural sentir-se assim e vivenciar diversas emoções diferentes. As preocupações e expectativas de cada família, antes e após a cirurgia de ostomia variam e todos os sentimentos devem ser respeitados.

Não se esqueça de que enfrentar esta nova situação e aprender a lidar com ela é mais fácil quando se tem apoio. E você pode encontrá-lo em diversos lugares: conversando outros pais que enfrentaram essa situação, na comunidade de ostomizados, na equipe médica e de enfermagem. E sem dúvida com muita informação ao longo desta experiência, você estará cada dia mais seguro.

Lembre-se que após a cirurgia, seu filho precisará de todo o seu apoio.

Seu afeto e o calor de seu toque irão ajuda-lo a lidar com essa situação desconhecida. Ser paciente, solidário e envolvido desde o início também ajudará seu filho a se adaptar a ter uma ostomia. As crianças aceitam novas condições com facilidade e após um período relativamente curto, ficarão à vontade com a ostomia.

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